Nova coluna da Editora Merda na Mão:
A partir de hoje, toda quinta-feira, vamos desenterrar nossas publicações, recuperar histórias, revisitar ações e colocar novamente em circulação os rastros da nossa guerrilha cultural. Porque a Editora Merda na Mão é passado, presente e futuro.
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Há cinco anos, em 22 de outubro de 2021, Canto do Povo — Raízes de Liberdade, primeiro livro de poesia de Guilherme de Andrade, chegava da gráfica, pronto para ganhar as ruas, as periferias e as favelas do Brasil.
Natural de Santo André (SP), o poeta viu sua obra percorrer caminhos que ultrapassaram as páginas. O livro rodou de mão em mão, encontrou leitores por todo o país e, diante do apelo do público, ganhou novas tiragens. Aqui no blog da Editora Merda na Mão, nas postagens antigas contém registros de alguns desses encontros entre a obra e seus leitores.
Mais do que publicar um livro, tivemos a honra de impulsionar uma voz. A repercussão de Canto do Povo — Raízes de Liberdade abriu caminhos para o poeta, que passou a ocupar outros espaços e a publicar também por outras editoras. Ver sua arte voar para tão longe é motivo de orgulho para nós.
Afinal, livro não foi feito para mofar em prateleira. Poesia também é movimento, circulação, encontro e transformação.
Seguimos na contramão, fazendo o que sempre fizemos: publicando os impublicáveis, divulgando os indivulgáveis e cuspindo no status quo.
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Título: Canto do Povo - Raízes de Liberdade
Autor: Guilherme de Andrade
Formato: 14X21 cm
Páginas: 55
Capa: cartão 300 c/ laminação brilho
Diagramação da capa: Jackson Abacatu
Diagramação do miolo: Fabio da Silva Barbosa
Arte da capa: Lucas Santana
Revisão: Wagner Teixeira
Ano: 2021
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6 poemas de Guilherme de Andrade no blog Ruído Manifesto:
https://ruidomanifesto.org/seis-poemas-de-guilherme-de-andrade-4/
Deu Merda 68 - lançamento da obra Canto do Povo - Raízes de Liberdade
Conselho
Poesia desça do pedestal!
Retire de suas linhas
Palavras esquecidas, mortas.
Poesia, não se esqueça
Seu lugar não é presa
Mofando dentro da gaveta.
Poesia vem pra rua
E seus versos
Na boca do povo serão eternos.
- Guilherme de Andrade -
Homenagem a Favela
Eu canto para a Favela
Lugar que me acolheu
Acolheu meus pais e
Tantos, tantos outros…
Eu canto a este lugar
Onde vivem todos
Que levantaram a cidade
Que a fazem funcionar
Canto ao reduto do Brasil
Fortaleza retinta
Resistência proletária
População consagrada
Canto para a Favela
Casa dos orixás
Morada dos poetas
Berço do carnaval
Canto para a Favela
Mãe de todos os pobres
Porém, muito perseguida
Terra marginalizada
Canto para a favela
Sempre cantarei
Como nas poesias épicas
Meus versos vivem em batalhas
Canto para a favela
Lugar que derrama pranto
É um bocado de dificuldade
Que nem sempre se dá para sorrir
Meu canto é de libertação
Zumbi, Solano Trindade
Clementina de Jesus, Dina Di
Também o fizeram
Canto para a Favela
Lugar que me apresentou a saudade
De quem já não está mais entre nós
Pessoas que fazem muita falta
Canto numa roda de jongo
Canto numa roda de samba
Canto numa roda de capoeira
Canto numa roda de macumba
Canto para a Favela
Quando estou no churrasco de laje
Vendo as crianças brincando pelas vielas
Momentos tão únicos…
Canto para a Favela
Sem medo do opressor
Porque eu sei que aqui
É morada de um povo forte
Canto para a Favela
Mesmo quando choro
Nesse caso,
Eu solto um imenso lamento
Canto para a Favela
Paisagem mais alta
Vista mais linda
Estamos sempre pertinho do céu
Canto para a Favela
As mães solteiras
Aos moradores de rua
Aos desiludidos com a vida
Canto para a Favela
Enquanto eu viver
Nunca me cansarei de cantar
Verdadeira mãe solo gentil
Quando a Favela canta
Não há quem não se emocione
Aí, meu irmão, é vida dura
Realidade pura
Quando a periferia solta a voz
Vem a história do Brasil inteiro
Dos navios negreiros
Aos retirantes nordestinos
Quando a música da favela ecoa
É canção de resistência
Precisa guardá-la no fundo do peito
Deixar a música te consolar
A favela sempre canta
Em direção a liberdade
Sem nada a temer
A favela segue em direção da paz.
(Guilherme de Andrade)






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