“Pra que servem os Correios? # Episódio 48” está no ar!
Direto do canal do youtubodigestivo da Editora Merda na Mão!
A partir dessa pergunta simples, a gente tenta mostrar algo essencial: sem Correios públicos, não existe circulação de fanzine no Brasil. Em meio à precarização e às tentativas de privatização que só pioram o serviço, reafirmamos — temos que lutar pelo correio público. Porque é ele que faz a cultura independente atravessar o país.
O outsider da galáxia de parnaso, Diego El Khouri, foi aos Correios enviar o quadrinho O Filósofo da Maconha e vários zines para diferentes cantos do Brasil. E também teve a alegria de abrir a caixa postal e encontrar verdadeiros tesouros da cena independente.
Direto de Araraquara (SP), o incansável Valdir Ramos — há décadas produzindo quadrinhos — entrou em contato com a Editora Merda na Mão, adquiriu o Filósofo da Maconha e ainda enviou material pra gente: o Fatherzine, homenagem psicodélica a Jimi Hendrix; o fanzine Poranduba; e o Ficção, tributo a Edson Rontani, criador do primeiro fanzine do Brasil.
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Depoimento surpreendente que tivemos no vídeo do canal sobre esse material:
Editora Merda na Mão fazendo conexões
Também recebemos material do Winter Bastos, de Niterói (RJ): o clássico O Berro, que existe há 16 anos e já está no número 37. Inclusive, a gente já entrevistou o Winter no canal (https://www.youtube.com/watch?v=nrZn8C_7FbQ). E é sempre uma honra ver que, no verso de O Berro, ele coloca o blog da Editora Merda na Mão para a galera acompanhar:
👉 editoramerdanamao.blogspot.com
* Winter Bastos deselegante com a camisa da Editora Merda na Mão
Esse episódio é sobre troca, correio, resistência e cultura impressa circulando de mão em mão.
Se você acredita na força dos zines e na importância do correio público, assiste até o fim, comenta e fortalece a cena independente:
Devaneios Sinceros não é só um álbum de poesias musicadas, mas o roteiro subjetivo poético de uma "Novela Mexicana", dramática até a última ponta...
Que é a minha vida!
Minha poesia é feita de dor e sonho vivo, relatando essa fatídica jornada nessa guerra interplanetária de sobrevivência... Que deixam a Deus Guerreira aqui, bem exausta... Tipo cinzas...
Entretanto, porém, todavia...
Ressuscito pela força da revolta!
Tacando fogo, e tocando terror no sitema artisticamente...
Justiça pela arte é o meu lema!
Antiproibicionismo, Revolução 4:20
Divago nas trincheiras...
E te convido caro ouvinte, a adentrar ao universo caótico dos meus Devaneios Sinceros...
Oito faixas desse álbum foram gravadas durante minha última internação hospitalar, capítulo repetido, eu continuo no limbo, mais uma grande morte no roteiro...
Mas também continuo sonhando...
As últimas duas faixas já foram gravadas em casa, reafirmando meu sobrenome resiliência!
Nunca pare de sonhar! Nunca pare de lutar!
Eu sei que nessa vida tudo vai passar...
Mas a minha arte...
Ah essa vai ficar...
Bora divagar nos Devaneios Sinceros - Primeiro Testamento?!
Devido à insana luta pela sobrevivência — essa tragédia cotidiana que atravessa quem insiste em criar fora do sistema — o lançamento da HQ XXI será adiado em 1 mês.
Não é recuo.
É resistência.
Trata-se de um trabalho de fôlego: 220 PÁGINAS sobre o século sinistro.
Um mergulho brutal no nosso tempo, sem concessões, sem anestesia.
Roteiro e desenho: Diego El Khouri,
o outsider da galáxia de Parnaso.
A arte continua. Mesmo sob escombros.
EDITORA MERDA NA MÃO
Publicando os impublicáveis e cuspindo no status quo.
Esta é a terceira postagem seguida aqui no blog sobre a HQ O Filósofo da Maconha.
E não é por acaso.
Os últimos exemplares estão evaporando.
E depois que acaba, não adianta lamentar.
Moscou? Já se fodeu.
Quadrinho lisérgico, punk, chapado — um manifesto impresso contra a caretice e a favor das liberdades individuais.
Roteiro do abismal Fabio da Silva Barbosa, o vomitário do zine Reboco Caído, ao lado do pichador xique Diego El Khouri.
Desenho que mastiga concreto.
Texto que queima na traqueia.
E ainda tem o puta prefácio do múltiplo ciberpajé, o mago da aurora pós-humana, abrindo os portais da HQ com sua visão expandida entre arte, resistência e crítica contemporânea.
Não é só quadrinho.
É viagem gráfica.
É filosofia de sarjeta.
É risada metafísica na cara do sistema.
Estamos com os ÚLTIMOS EXEMPLARES.
Depois disso, só em sebo, na mão de colecionador ou na memória alterada de quem garantiu o seu.
Há cerca de três anos, a HQO Filósofo da Maconha atravessou o Atlântico e passou a integrar o acervo europeu de Danihell Slaughter, figura central da Murder Records. Um gesto de violência cultural direta: a contracultura gráfica brasileira inscrita no território do underground internacional.
Nada de hype. Nada de modinha. É faca na carne.
Na mesma fase, o zine Rancoroso Manifesto Regado com os Venenos de um Grinder Filho da Puta Cheio de um Puro Ódio Rançoso Devidamente Vomitado, Mijado e Cagado Para Cima de Vocês Todos, primeira publicação da Editora Merda na Mão, surgiu a partir de entrevista conduzida por Fabio da Silva Barbosa com Danihell Slaughter e ganhou também edição em holandês, consolidando o diálogo direto entre Brasil e Europa fora de qualquer circuito domesticado.
A Murder Records, fundada em 1999 em Portugal e sediada na Holanda desde 2001, já era — e segue sendo — referência mundial em Death Metal e Grindcore, operando com brutalidade estética, independência total e uma raiva sanguínea que conecta Metal, Punk e Noise sem pedir licença e cuspindo no status quo.
Em 2020, ainda no primeiro ano da editora, Diego El Khouri realizou uma entrevista de 5 horas e meia com Danihell Slaughter no programa Deu Merda, exibido no canal do YouTubedigestivo — um registro raro de alguém que quase nunca fala em entrevistas.
Essa aproximação extrapolou o campo editorial. Danihell participou de duas faixas do EP Noise Experimental Performático Poético (https://www.youtube.com/watch?v=eTVKefPGSHM&list=PLEBhB9jtXmRp_QS7OsU9vyTzpTHamXg8B), do War Brain, projeto de anti-música de Diego e Fabio , estendendo a colaboração para o território do ruído, da performance e da negação formal da música.
Dessa troca nasceu a CADAVERIC NOISE BIBLIOTHEC, parceria entre a Editora Merda na Mão e a Murder Records, hospedada no site da Murder (https://www.murder-records.eu/), reunindo livros e HQs underground para download, preservando e espalhando a memória do subterrâneo gráfico internacional.
* Danihell com a camisa da EMNM
E assim a luta segue...
Arte sangrenta atravessando o século.
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Seguimos inflamando consciências, enlouquecendo espíritos e jogando a merda para cima dos covardes e fascistas — porque o silêncio nunca foi uma opção.
* Lembranças de Resistência é uma série que publicaremos toda quinta-feira aqui no blog, reavivando memórias de publicações, eventos e projetos realizados pela Editora Merda na Mão.
Soneto de Queiroz Filho, escrito em 2012, inspirado na arte de Diego El Khouri, o outsider da galáxia de Parnaso e um dos criadores da lisérgica punk Editora Merda na Mão:
Publicando os impublicáveis e cuspindo no status quo
Mas o problema não tá na cidade... Ta na humanidade... Melhor dizendo, na falta dela... Inferno... This is my life! Mas também não deixa de ser um inferno colorido... Sonho vivo, propósito de responsa... Quando vim do interior buscando um atendimento efetivo na capital, também sonhava com um atendimento humanizado, respeito, compreensão... É... Todas as ilusões caíram por terra... E o problema não está na cidade, instituição A, B, ou C, é aquela velha frase clichê... Nem preciso repetir... Os ratos dançam nessa roda... Enquanto soldados protestam... E esse rolê não é simplesmente questão de mentalidade... Mas a falta de humanidade e empatia no lugar do cuidado projetado... Obviamente não se resume a um lugar... Observe o mundo ao redor... Vai pra lá e vai pra cá... É sempre a mesma fita, de novo ouvidoria... Esculacho, humilhação, até o auge da violão dos direitos humanos... Por favor uma água! Acho eu tinha esquecido tudo que eu já tinha vivido... Tortura psicológica é rotina... É tipo buscar tratamento e travar uma guerra... E eu só queria me sentir humana... Mas ok! Já entendi! Já recordei quem eu sou... Tive uma excelente professora, a maior Guerreira dessa novela mexicana vulgo Fênix maior, que em em sonhos vem me orientar... Recuperei a memória... Lembrei as regras do jogo... E tô pronta pro combate! A tortura biológica continua, a esperança novamente se volta ao propósito que em breve chega por aqui... Enquanto isso resisto, persisto e não abaixo a cabeça pra nenhum filho da puta! Só há uma possibilidade de me calar... Estilo Eduardo Taddeo... Pra sair é só rígido num caixão de lata!
* Novidades da lisérgica punk Editora Merda na Mão *
Este ano vamos cuspir no mundo um novo álbum em quadrinhos — já em produção avançada — de Edson Batista.
O título não pede licença nem desculpa: A Vida do Homem Medíocre.
O título é um vômito, uma catarse asfixiante do homem moderno, da sociedade que esmaga pessoas e torna a vida um abismo pungente: uma obra que rasga a superfície da sociedade, um retrato cru de uma sociedade que tritura pessoas, empurra o cotidiano para o abismo e chama isso de normalidade.
Com cerca de 60 páginas, a obra rasga a crosta da civilização e joga o leitor direto no campo de batalha: o traço seco, nervoso e marcado pela ideia do não branco no papel trazendo um ar sombrio e abismal numa arte sem romantização e esperança alguma. Em Edson, o vácuo não existe — cada mancha, cada sombra, cada excesso sufoca o respiro e transforma a página num território de conflito. O desenho enfrenta de frente o desespero, a tragédia e a rotina brutal do proletariado.
O trabalhador braçal, o corpo exaurido, o CLT soterrado num tempo impiedoso, num mundo que não oferece saída — apenas repetição, cansaço e colapso.
Edson Batista é do Rio de Janeiro e, antes de tudo, leitor voraz e poeta. A espinha dorsal de seus roteiros nasce dessa fome literária que atravessa Edgar Allan Poe, Allen Ginsberg e Bukowski, misturada ao ruído extremo vomitado por bandas violentas e críticas — som de quem não aceita o silêncio imposto.
Soterrado em empregos massacrantes e com pouquíssimo tempo livre, ainda assim Edson mantém uma produção contínua, obsessiva e resistente, à margem do mercado convencional das artes. E é exatamente por isso que ele representa a alma da Editora Merda na Mão.
Entusiasta da editora desde o seu nascimento, parceiro de trincheira, volta e meia é flagrado por aí vestindo a camisa da editora e adquirindo nossas publicações desde sempre. É um grande parceiro.
Este ano, sem data prevista — pois o trabalho está em andamento, mesmo que adiantado —, vamos publicar essa ode ao trabalhador massacrado neste sistema escravocrata. Serão pequenas histórias curtas, uma espécie de contos em quadrinhos que se erguem como fragmentos narrativos de um mesmo colapso social, lampejos de dor, resistência e exaustão, onde cada capítulo aprofunda o retrato brutal do homem comum esmagado pela engrenagem do mundo contemporâneo.
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Aqui algumas páginas aleatórias desse quadrinho para já sentirem o peso do trampo:
A múltipla artista e produtora cultural Lívia Batista — parceira e namorada de Diego El Khouri, o outsider da galáxia de Parnaso e um dos criadores da Editora Merda na Mão — colabora desde o final de 2025 com as diagramações da editora, somando poesia, sensibilidade e densidade às publicações. Em 2026, essa troca se intensifica e se aprofunda. É uma satisfação imensa ter uma artista tão dedicada, forte e talentosa caminhando junto com a Editora Merda na Mão, ocupando e tensionando este espaço lisérgico punk e indomável.
Criada em 12 de abril de 2020 por Fabio da Silva Barbosa e Diego El Khouri, a Editora Merda na Mão é uma editora independente dedicada a publicar os impublicáveis. Com quase seis anos de atuação e cerca de 60 títulos lançados, publica livros, zines, HQs e poesia sem cobrar dos autores, operando fora do mercado editorial tradicional, com estética subversiva e espírito underground. A atuação se expande em distro, eventos, feiras culturais e no selo musical Ruídos Absurdos, voltado à cena noise, hardcore e experimental.
Além da atuação editorial, Lívia Batista é idealizadora e diretora artística do D’Olhar – Festival Itinerante de Dança e Vídeo, dedicado à videodança e ao encontro entre corpo e audiovisual, ampliando circulação, formação e acesso a essa linguagem no Brasil.
Primeiro livro diagramado pela Lívia já está disponível:
Coração enrolado em arame farpado & outras tretas rolando, de Gutemberg F. Loki