sexta-feira, 17 de outubro de 2025

HERBERTO HELDER

 Por Edu Planchêz Maçã Silattian 


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um homem e seus poemas,

sua taba, sua oca,

seu iglu de poemas de majestosos carvalhos

e se eu fosse fernando pessoa,

e eu sou fernando pessoa,

a alma gemea dos vertiginosos trópicos

herberto elder,

eu, ele, eles…

homens mulheres nacionais intergaláticos

em nenhum espinho deixei as claras escuras

de minha fruta alma de lajotas árabes

no exercício malabare das alagadiças palavras

desfio a genialidade dos troncos ocos

que abrigam pássaros, ninhos de pássaros,

artistas pássaros

as unhas grandes cosmificam a carne dos dedos,

e eu compreendo que sei escrever,

que nos trilhos donde correm

minhas máquinas habitam observares

doutras abissais estrelas,

que são e não são essas estrelas

e eu tenho os muitos minutos dos fótuns,

das maiusculas e minúsculas partículas...dos fótuns,

e eu passei a completude do agora noite,

orando…

e eu oro porque sou a oração e o orar

sendo a oração e o orar, o olhar,

a reza parida

por nossas bocas do sutra do lótus,

dos triângulos que aqui chamo de pirâmides 

heregidas pelas mãos dos tropicalistas da paixão

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* "Herberto Helder (1930–2015) foi um dos maiores poetas portugueses do século XX, conhecido por sua linguagem densa, visionária e profundamente experimental. Nascido no Funchal, na Ilha da Madeira, ele construiu uma obra marcada pela intensidade poética e pela recusa às convenções — tanto literárias quanto sociais.

✦ Trajetória

Viveu entre Portugal, Angola, Moçambique e outros países.

Trabalhou como jornalista, tradutor e revisor, mas sempre manteve uma vida discreta e avessa à exposição pública — recusava prêmios e entrevistas, preferindo o anonimato e o silêncio.

Sua escrita influenciou gerações de poetas e artistas pela radicalidade e pela força de invenção."

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