Por Edu Planchêz Maçã Silattian
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um homem e seus poemas,
sua taba, sua oca,
seu iglu de poemas de majestosos carvalhos
e se eu fosse fernando pessoa,
e eu sou fernando pessoa,
a alma gemea dos vertiginosos trópicos
herberto elder,
eu, ele, eles…
homens mulheres nacionais intergaláticos
em nenhum espinho deixei as claras escuras
de minha fruta alma de lajotas árabes
no exercício malabare das alagadiças palavras
desfio a genialidade dos troncos ocos
que abrigam pássaros, ninhos de pássaros,
artistas pássaros
as unhas grandes cosmificam a carne dos dedos,
e eu compreendo que sei escrever,
que nos trilhos donde correm
minhas máquinas habitam observares
doutras abissais estrelas,
que são e não são essas estrelas
e eu tenho os muitos minutos dos fótuns,
das maiusculas e minúsculas partículas...dos fótuns,
e eu passei a completude do agora noite,
orando…
e eu oro porque sou a oração e o orar
sendo a oração e o orar, o olhar,
a reza parida
por nossas bocas do sutra do lótus,
dos triângulos que aqui chamo de pirâmides
heregidas pelas mãos dos tropicalistas da paixão
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edu planchez pan maçã dylan silattian
* "Herberto Helder (1930–2015) foi um dos maiores poetas portugueses do século XX, conhecido por sua linguagem densa, visionária e profundamente experimental. Nascido no Funchal, na Ilha da Madeira, ele construiu uma obra marcada pela intensidade poética e pela recusa às convenções — tanto literárias quanto sociais.
✦ Trajetória
Viveu entre Portugal, Angola, Moçambique e outros países.
Trabalhou como jornalista, tradutor e revisor, mas sempre manteve uma vida discreta e avessa à exposição pública — recusava prêmios e entrevistas, preferindo o anonimato e o silêncio.
Sua escrita influenciou gerações de poetas e artistas pela radicalidade e pela força de invenção."

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