quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

INFORMATIVO DE FIM DE MUNDO — EDITORA MERDA NA MÃO

 Contra todas as estatísticas, seguimos publicando os impublicáveis.




O ano se finda como uma bomba atômica na cara do século sinistro. A cortina se fecha, mas a resistência não. Resiliente como um Buda em transe, raivosa e subversiva como uma tempestade violenta invadindo mentes, embriagante e chapada como droga pesada… a Editora Merda na Mão continua, contra todas as estatísticas e especulações.

Foi um ano louco. Mudanças acontecem e a guerrilha necessita dessa mobilidade de ação. Não pode ser fechado, enclausurado dentro de si mesmo. Ser realmente "metamorfose ambulante", fênix quebrando vidraças, poesia nua e crua invadindo becos e salas, a arte como processo contínuo e intenso de revolução.

Quando esse espaço de publicação independente nasceu, em 12 de abril de 2020, em plena pandemia, com a extrema direita em ascensão, fascismo escancarado, genocídio indígena e tantas outras tragédias, a ideia era fortalecer a cena cultural, registrar memórias e abrir caminhos para colocar no mundo concreto o que já pulsava no campo das ideias. Vozes que, dentro dessa sociedade capitalista, competitiva e excludente, eram sistematicamente silenciadas.

Trampar de forma autônoma e sem apoio é coisa de maluco — exige força bruta, resiliência e insistência diária, senão a parada não se sustenta. Em quase seis anos de existência e resistência, foram cerca de 60 publicações (entre livros, zines e HQs), sem cobrar um centavo dos autores — algo praticamente único no mercado editorial. Soma-se a isso programa de rádio, distro (com CDs de diversos selos, nacionais e principalmente internacionais), o selo musical da Editora Merda na Mão, Ruídos Absurdos, o projeto War Brain, de noise experimental performático poético, além de festivais, saraus e outros delírios

Tudo isso só foi possível graças às mentes ousadas de Diego El Khouri e Fabio da Silva Barbosa. Este último precisou se afastar do projeto para cuidar de questões pessoais, mas segue presente: novas publicações assinadas por esse maluco chegam em 2026Frida Carla – A advogada mais ousada do Brasil e Carniça: A Apologia da Destruição – Substâncias ilícitas, crimes e outras especiarias, dois quadrinhos roteirizados por Fabio e desenhados por Diego. Nesta entrevista, Fabio fala sobre essa nova fase: https://fetozine.blogspot.com/2025/10/o-escritor-do-submundo-um-papo-com.html.

Com a saída do parceiro, Diego assumiu a parada sozinho, ralando pesado nos bastidores para manter a chama acesa. No ano anterior, vieram reveses brutais: golpe financeiro de gente da própria cena, luta diária pela sobrevivência, falta de equipamento, além de outras situações ainda mais pesadas — que não cabem aqui, já que a ideia deste texto é outra: fazer um breve balanço de 2025.

O artista visual Diego El Khouri segue firme, ao lado de sua companheira Lívia Batista, no projeto Ruas e Cores: Hip-Hop em Tela, no qual traduz a cultura Hip-Hop em pintura, gesto e memória urbana. A exposição reúne 12 telas em óleo sobre tela que retratam figuras do Hip-Hop goiano, em diálogo direto com a resistência das ruas. Atualmente em cartaz no Museu das Bandeiras, na Cidade de Goiás, até 14 de janeiro, o projeto ocupa um espaço que já foi cadeia, ativando sua memória densa e conectando-a à luta ancestral do Hip-Hop. Além desse trabalho, os artistas desenvolvem o projeto Urbanidade e Memória — Arte Negra e Descolonização do Olhar, em Aparecida de Goiânia. Ambos os projetos têm produção cultural e curadoria de Lívia Batista, idealizadora da Mova-se Projetos Culturais.



Muita coisa era para ter sido lançada este ano, mas foi preciso, antes de tudo, resolver várias questões. Por isso, reafirmamos a importância do trabalho intenso nos bastidores. Nos primeiros anos da editora, houve um fluxo grande de publicações, mas no underground as turbulências são constantes — ainda mais com o tipo de trabalho que a gente faz, combativo ao extremo. Nosso coro é casca grossa. Nada pode nos parar!

E, imaginando novos meios para continuarmos publicando os impublicáveis, pensamos em novas formas de atuação. Como todo trabalho de guerrilha, é preciso ser estratégico e não se enclausurar na mesma ideia, como já foi dito no início deste informativo. Conversando com outros autores, chegamos à Uiclap, uma plataforma de autopublicação sob demanda que permite publicar, imprimir e vender livros sem custo inicial, cuidando da produção e da distribuição conforme a demanda. Inclusive, adquirimos um livro da escritora de terror erótico Indy Sales para avaliar a qualidade do material, e o resultado nos agradou. Na Editora Merda na Mão, sempre priorizamos a qualidade do suporte, além do conteúdo, claro. O camarada Fabio da Silva Barbosa, por exemplo, vai publicar a coluna Arquivos Explícitos, originalmente veiculada no blog Metal Reunion Zine (https://metalreunionzine.blogspot.com/), agora em formato de livro pela Uiclap.


E, dito tudo isso, eis que acabamos de publicar mais um livro pela Editora Merda na Mão:

Coração enrolado em arame farpado & outras tretas rolando,
de Gutemberg F. Loki.

Coração enrolado em arame farpado & outras tretas rolando é poesia de asfalto, escrita com o corpo em risco. Gutemberg F. Loki, poeta independente e vocalista da banda Leptospnoise, leva para o livro a mesma fúria do noise punk e do hardcore sujo. Aqui, o amor falha, a cidade sufoca e o tempo cobra juros.

Os poemas escorrem como um blues torto, atravessados por ruído urbano e urgência política. Nada é simbólico demais; tudo é vivido. Os versos parecem nascer entre um gole e outro, sem promessa de redenção. É livro de quem anda no acostamento, mas continua.

Literatura marginal, direta e sem pedido de desculpa. Palavra distorcida como guitarra no talo. Editora Merda na Mão em estado bruto.

Mais uma publicação da Editora Merda na Mão.



Capa e contracapa:





57 páginas


Quem quiser colocar as mãos nessa obra poética pode adquirir o livro pelo site abaixo. A compra é simples e o exemplar chega certinho na sua casa:


* Agradecimentos a Fabio da Silva Barbosa, por conectar Gutemberg à Editora Merda na Mão e acender esse encontro. E, sobretudo, a Lívia Batista — sem sua força, sensibilidade e trabalho incansável, esta obra não teria atravessado a ideia para existir no mundo. Gratidão pela confiança, pela paciência e pela parceria ao longo de todo o processo.



Caricatura de Gutemberg F. Loki feita por Diego El Khouri

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 volta de um clássico da Editora Merda na Mão.
DEU MERDA está de volta.


Nesta edição, o programa retorna para marcar o lançamento do novo livro de poesia de Gutemberg F. Loki:
Coração enrolado em arame farpado & outras tretas rolando.

Na conversa, vamos atravessar a trajetória de Gutemberg desde o início:
a guerrilha no underground, o corre como poeta independente, a vivência como vocalista da banda Leptospnoise e a forma como toda essa fúria do noise punk e do hardcore sujo transborda diretamente para a escrita do livro.

Poesia de asfalto, ruído urbano, urgência política e vida vivida no limite.

 Às 16 horas
No canal YouTubodigestivo da Editora Merda na Mão

Apresentação:
Diego El Khouri — outsider da galáxia de Parnaso e um dos idealizadores da Editora Merda na Mão.

eDiToRa MeRdA nA mÃo PuBlIcAnDo Os ImPúBlIcÁvEi

                                                 editoramerdanamao@yahoo




terça-feira, 30 de dezembro de 2025

HQ O FILÓSOFO DA MACONHA — 126 PÁGINAS E CARICATURA EXCLUSIVA NA PRIMEIRA PÁGINA




Diego El Khouri, outsider da galáxia de Parnaso e um dos idealizadores da lisérgica punk Editora Merda na Mão, desenha no impulso, no risco direto, no ataque. É desse gesto rápido e indomado que nasce a caricatura do @juniorhc2 , cravada na primeira página da HQ O Filósofo da Maconha, abrindo o livro no traço, sem cerimônia.


Quem adquire a HQ ganha uma caricatura personalizada na primeira página, espaço ritual de dedicatória, contato direto entre artista e leitor. E ainda leva zines de brinde, porque aqui a troca não é fria nem burocrática — é presença, é excesso.


Roteiro de Fabio da Silva Barbosa, desenhos de Diego El Khouri e prefácio de Ciberpajé. 


🔥 126 páginas de lisergia e loucura — um trabalho de fôlego, obsessivo, sem atalhos, para quem aguenta atravessar a viagem até o fim.


No youtubodigestivo essa "performance caricatural":



segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Oligarquia: 33 Anos no lado B do Underground !!!

 



Shows: pandadrums@hotmail.com


DEATH METAL OLD SCHOOL EST. 1992


Apoio - @heavymetalrock83


Camisetas - Ogro Stamp ( Instagram ) - @ogrostamp

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Panda Reis e a death metal Oligarquia  / Corte do programa Deu Merda:


Panda Reis e os primórdios do underground / Corte do Deu Merda:


Panda Reis e a Editora Merda na Mão- Invasão underground:




Título: Panda  Reis 
Técnica: Óleo sobre papel
Dimensões:  297 x 210 mm
Artista: Diego El Khouri

domingo, 28 de dezembro de 2025

Revista O Bule — Coluna # 5: ‘usufruto de demônios’, de Whisner Fraga – um livro síntese


 

Por Krishnamurti Góes dos Anjos

Fragmentos de vida compõem o conto. Daí resulta, quando em mãos hábeis, a emergência de um caráter lírico proveniente da força do fragmento. Júlio Cortázar (1914-1984) endossa tal afirmativa e explica bem o recorte que os contistas podem e devem realizar: ao escolher e limitar uma imagem ou um acontecimento que seja significativo e não valha por si mesmo, podem causar mais facilmente nos leitores uma espécie de abertura, de fermento que projete a inteligência e a sensibilidade em direção a algo que vai muito além do argumento visual ou literário contido no conto.

Quanto à forma que o gênero vem assumindo na atualidade, constatamos verdadeira busca pela síntese, reflexo de uma era marcada pelo esfacelamento, fragmentação, velocidade e intensidade. Surgem daí vertentes narrativas que enveredam pelo que difusamente denominamos de mini, micro ou nanoconto, formas diminutas de ficções.

Um dos grandes estudiosos da narrativa curta hoje no Brasil, o professor Rauer Ribeiro Rodrigues, molda uma teoria interessante partindo de uma premissa exata: um texto, qualquer texto, até por etimologia, é uma trama, uma rede, uma teia, uma tela, um entrelaçamento de informações linguísticas. O nó dramático é constituído nos encontros de dois fios da tecitura que o texto tece. E o gênero é, sem dúvida, excelente instrumento, devido a sua ampla capacidade de transformação.

O mesmo estudioso acrescenta ainda que alguns escritores andam empenhados em fazer com que o encontro dos fios do tecido textual se configure afinal num bordado sem falhas e sem nódulos, sem “tropicões” textuais. Busca-se a frase que contenha diversos nós dramáticos, com os termos se modificando ou acrescentando significados entre si. A narrativa se realiza sob o primado da ação, do enredo enredado, das ações articuladas na tecitura com os nós e os “vazios”, constituindo signos, gerando significados, texto e discurso. O nó dramático é, pois, o movimento narrativo, o criador do efeito de narrativa, a figura textual que engendra a narratividade.

A leitura do livro de contos do escritor e crítico literário Whisner Fraga, usufruto de demônios (Ofícios Terrestres, contos, 2022, finalista do Prêmio Jabuti), é obra especial nesse sentido. Ela nos revela um escritor maduro, com pleno domínio da palavra e das técnicas de ficção. O que a princípio poderia aparentar uma reunião despretensiosa e aleatória de fragmentos, pequenas narrativas, estilhaços de prosas poéticas, paródias de minicontos, de vazios, acaba por contribuir – intencionalmente – para que tenhamos a exata medida da barafunda existencial em que estamos metidos. O autor modela cuidadosamente seus pensamentos em ficções de um realismo sem disfarces, um realismo cegante na glorificação do real em sua maior crueza, para acomodar seus incidentes. Tendo concebido um certo efeito único ou singular a ser trabalhado, ele então inventa incidentes, combina eventos de forma que eles o auxiliem a estabelecer o efeito preconcebido.

O propósito de refletir sobre a pandemia que ceifou milhares de vida no Brasil e no mundo, que pode parecer ao leitor desavisado o objetivo central do autor, cai por terra, entretanto. Melhor, frutifica outras importantes sementes de percepção. Essenciais, fulcrais. Voltemos ao título da obra: usufruto de demônios. Afinal, o que vem a ser “usufruto”? A terminologia jurídica nos diz que é o direito conferido a alguém, durante certo tempo, de gozar ou fruir de um bem cuja propriedade pertence a outrem. Aquilo que se pode desfrutar para que, por certo tempo, de forma inalienável e impenhorável, possa usufruir da coisa alheia como se fosse sua, contanto que não lhe altere a substância ou o destino, se obrigando a zelar pela sua integridade e conservação. E demônios, como sabemos todos, não respeitam exigências de não alterar substâncias ou destinos. Jamais zelam por “integridades e conservações”.

Whisner Fraga alimentou e bem nutriu a ambição de escrever além da temática/questão pandêmica, como bem entendeu Gabriel Morais Medeiros, que assina o interessantíssimo posfácio à obra. Em usufruto de demônios, assistimos à nossa própria desordem moral e física ante a aparecimento e transmissão do vírus da covid, é verdade. Mas não é só isso. Há como que uma sondagem para além desse fato isolado a nos mostrar que nossa infeliz problemática enquanto povo, enquanto estado e nação tem sido um desastre sem freios. Onde fica o brasileiro cordial após a leitura de um conto como “aparar as árvores, na pandemia”? “as copas avançam pelo terreno, as folhas apodrecidas revestem o ladrilho e ele volta com o facão, para resolver o problema” e substituir por “determinado: o tronco pertence à casa ao lado, o muro deixava isso claro: o ipê, portanto, não é dele e o ideal seria pedir autorização para a poda, mas um ano aguentando essa sujeira não fez dele um homem melhor: da escada, enquanto derruba o terceiro galho e enxuga a testa com as costas da mão, ouve os passos agitados do vizinho, em seguida uns gritos afrontando os parâmetros da boa convivência, e, pior: vinha sem máscara: devia estar preparado, ainda que normalmente não fossem violentos.” (p.16).

Diante das escolhas do autor quedamo-nos perplexos. A temática abordada de sutil angulação quanto ao enfoque, revela nossa impiedade (vide o texto “a velha no canto”), o nosso desamor (“você não faz mais parte dessa família”), a indiferença ou a maldade deliberada (“pureza”), ao lado de textos de um lirismo comovente, como acontece em “profilaxia de muros” e “duelo”.

O autor mira a sua pena precisamente para o que é o Brasil. Quem somos nós

afinal? Onde estão e moram os nossos demônios? “o medo atocaia meus passos, que esmiuçam a fuga, os postes na rua balbuciam a claridade impetuosa: inútil clareira a realçar o breu, eles não aceitam a existência do medo, mas trancam as portas, os dedos sapateiam ferozmente sobre a tela do celular, propagando mentiras, o temor entra, liga a tv, senta no sofá e bebe uma cerveja, eles compreendem o preço dos produtos, e o medo é mercadoria também, não me enganem não me convençam que a desordem prevalecerá, não me arranquem o medo e o substituam por uma arma, em nome do direito dos costumes, da fé, imploram a mediação da bala: tenho medo, e ele pode gestar um impulso em direção ao ataque.” (“ele chegará”, p. 48).

Nada escapa ao crivo do autor. A desorganização social, a decadência e a desilusão que marcam as relações amorosas, o devir histórico e o funcionamento do corpo social, falido, as relações de força e violência destrutiva que organizam o tecido social brasileiro do presente: “ele imagina: graças a deus, graças a deus, me safei dessa, estou em casa com a esposa, com a filha, graças a deus estamos abraçados esperando a novela começar, mas o revólver ainda está apontando para a testa dele e não descobre o que fazer com o moleque ordenando o dinheiro, o celular, o relógio, ou hoje é o seu dia de morrer, rápido ou aperto o gatilho.” (“nunca se sabe como um assalto pode terminar”, p. 63).

Os textos urram as agruras de nossa sociedade na qual imperam as muitas formas de exclusão e desencontro. As criaturas de Whisner Fraga são seres humanos comuns, cujos dramas não interessam especialmente a ninguém, mas que, tomados na perspectiva panorâmica e vertiginosa em que se apresentam, dizem algo acerca da precarização de nossa experiência contemporânea. Nossos demônios estão por toda parte a eleger o sofrimento e a miséria física e moral como um fatalismo cego, um “não há por onde ser diferente”. Perfeita tradução de uma civilização que lança mão da barbárie para a própria manutenção.

 Essas vias de análise do autor nos fazem lembrar muito o célebre texto de Bertold Brecht (1898-1956): “Há muitas maneiras de matar uma pessoa. Cravando um punhal, tirando o pão, não tratando sua doença, condenando à miséria, fazendo trabalhar até arrebentar, impelindo ao suicídio, enviando para a guerra, etc. Só a primeira é proibida pelo Estado.” As demais, e há muitas e muitas outras formas, derivam de outros fatores, nomeadamente do modelo capitalista predador, destruidor e genocida que adotamos:

 “o policial ergue os braços para cumprimentar os colegas na viatura, os mendigos revoam, alarmados (homens em situação de rua, corrigirão os militantes de coletes laranjas, que aportam depois de removido o corpo): eles retornam, passos miúdos, ariscos, abaixam os pesares até o contorno do amigo sob a manta térmica, a assepsia metálica blindando a indigência, ele não brindará mais a afeição que nunca lhe negou um gole nem o amor picando a veia num enlace fraternal, enquanto ninguém tem coragem de perguntar quem velará o companheiro quando o levarem.” (“cuidado com o embrulho na calçada”, p. 24).

Para além da polarização infantil de direitas e esquerdas que assistimos hoje no país (a essa altura ninguém mais acerta definir o que é isso ou aquilo), nossos demônios continuam instilando o ódio de classes, o ódio de gêneros, o ódio de raças e tudo que nos divida cada vez mais. E seguimos endeusando a Economia, o Mercado, a produção, o lucro. Aqueles que produzem as riquezas são descartáveis, já que há mão de obra em excesso, sem preparo e disponível. Essa a lógica (i)lógica do capitalismo. Leia-se especialmente o conto “você não precisa explicar nada”. Nosso passivo social é imenso, com ou sem pandemia. Para onde vai um país no qual 1% da população concentra 50% da riqueza nacional? Como deter a fúria demoníaca dos exploradores de toda sorte? Como abater a ditadura da mídia, a ditadura do latifúndio, o pensamento único fascista? Grassa no país a impunidade! Essa mesma que despreza Constituição, leis, tudo. Nossa verdadeira pandemia não surgiu com a Covid, mas mora diabolicamente entranhada em nós há séculos. 

O que salta à vista nesse mosaico de desatinos apresentado pelo autor de usufruto de demônios é o homem jogado em um verdadeiro tormento em vida. É o inalterável cotidiano de um país, onde as roubalheiras, os desacertos e retrocessos desse nosso eterno desnorteio fazem parecer que o Brasil é um imenso inferno a céu aberto. O inesgotável repertório de derrotas causou aos nossos dias a mais completa falência dos valores humanos. Com ou sem pandemia, o quadro não se altera.

De muitas formas, sutis ou escancaradas, o autor mostra como atua e como se reproduz em nosso caráter a intolerância, o racismo, a desonestidade e o terror físico e psicológico – características que oprimem nosso semelhante, criando, pela desigualdade, diferenças arbitrárias e justificando-as como naturais:

“conferiram as equações, os dados, os algoritmos e constataram o fim: sei que você suspeita disso, após tanta carnificina que presenciamos do sofá, entre um comercial e outro, e é arriscado confiar em vírgulas, sinais, operadores, ainda mais diante deste vírus ardiloso: um erro seria trágico, viria a temível sétima onda, helena: vamos sair, ainda com máscara, claro: eles garantem, a vacina é eficaz: sei, você vai argumentar que nem quando precisou desesperadamente de tratamentos, de médicos, de hospitais, deixou o apartamento, mas a situação é outra, agora estamos autorizados, há um decreto, há uma urgência, eu sei, você não pode, mas tinha de lhe perguntar, sempre foi assim, decidimos tudo juntos: me desculpe, mas eu vou aproveitar esse dia que sangra o medo: torça por mim.” (calafrio binário, p.41).

A leitura de um livro incisivo assim pode transmitir ao leitor a impressão de estar diante de um escritor que do fundo de seu desencanto e, ante o rigor que usa na caracterização das monstruosidades humanas, abriga um cético completamente descrente da redenção. Um sujeito que se desiludiu profundamente com a humanidade. Não creio. Por duas razões: a primeira de lógica elementar. Se assim o fosse, não teria escrito doze (12) livros até aqui. E a segunda, que vem se tornando espécie de marca registrada sua: o leitor mais atento há de notar que em vários de seus contos aparece uma certa personagem, Helena. Ela quase não fala, pouco dialoga, mas está sempre ali, ouvindo atenta o narrador. Cumpre lembrar que o autor tem uma filha que se chama Helena. E fica-nos, ante tal revelação, uma certeza. Quanta e imensa esperança mora num autor que urde suas ficções e escapa de volta para a realidade da própria vida a estimular, persuadir e atiçar a própria filha. Incansável, ele alerta e orienta sua descendência direta quanto aos abismos que cercam a existência, mostra como contorná-los. Não há, verdadeiramente, maior sinal de esperança na posteridade do que este, dentro e fora da Literatura.


Krishnamurti Góes dos Anjos é baiano de Salvador. Escritor, pesquisador e crítico literário, é autor, entre outros, de O Crime dei Caminho Novo (romance histórico), Embriagado Intelecto e outros contos, À flor da pele (contos) e Destinos que se cruzam (romance). Possui textos publicados em revistas no Brasil, Portugal, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Panamá, México e Espanha. O Touro do rebanho (Editora Chiado, romance histórico) obteve o primeiro lugar no Prêmio José de Alencar (UBE/RJ) em 2014. Atuando com a crítica literária, resenhou mais de 350 obras de literatura brasileira contemporânea, colaborando em diversos jornais, revistas e sites literários.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Jão e os Periféricos: o barulho que fecha 2025 / Editora Merda na Mão ocupa o espaço




Neste domingo, Jão, do Ratos de Porão, toca em Goiânia com seu projeto paralelo Jão e os Periféricos, em um show que marca o fechamento de 2025 no barulho. A Editora Merda na Mão ocupa o espaço com sua banquinha punk lisérgica, levando publicações independentes e material ligado à cena underground.

Entre os destaques está a HQ O Filósofo da Maconha, com roteiro de Fabio da Silva Barbosa e desenhos de Diego El Khouri. Um trabalho de fôlego, com 126 páginas, que cruza delírio, pensamento torto e cultura de rua. Jão aparece como figurante em uma página horizontal, construída  inspirada em revistas de rock antigas, reforçando o diálogo entre música e quadrinhos.





Essa ligação com o Ratos de Porão também passa pela conversa e pelo registro. Juninho, baixista do Ratos e do Spaguete, ex-baterista do Ratos e atual Homeless, já participou do Deu Merda, programa de entrevistas da Editora Merda na Mão, que retorna em janeiro de 2026.

O evento é organizado pela Two Beers or not Two Beers Records, que celebra 25 anos de existência e resistência, reunindo bandas, público e produção independente para encerrar o ano do jeito certo: com som alto e ocupação real do espaço.




Se liga nos horários:

16h00 — Abertura da casa

18h00 — Lascados

18h45 — Nosso Ódio

19h30 — Desastre

20h15 — Death From Above

21h00 — Jão e os Periféricos

Local: De Leon Música Pub

Ainda dá tempo de garantir seu ingresso:

https://www.bilheteriadigital.com/tbontb-25-anos-apresenta-jao-amp-os-perifericos-sp-28-de-dezembro


              Bora terminar 2025 em grande estilo!




Deu Merda 72 Spaguetti ex Ratos de Porão e atual Homeleess:

https://www.youtube.com/live/sja6S6leuGk?si=RS07FoUdqmXl5KkD


Deu Merda 80 Juninho do Ratos de Porão

https://www.youtube.com/live/hmStcKEPHd0?si=Iu6dT80jslhLY4Na





sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A Verbalização do ET

Por Clarisse da Costa 


O banheiro é o único lugar que cabe essa “bosta” toda. Então vamos à receita, jogue na panela uma política feita sob medida para encher o bolso dos próprios políticos e, sem medo de exagerar, acrescente uma colher generosa de leis ultrapassadas, daquelas que deixam o país azedar antes mesmo de levantar fervura.

Misture bem, tampe e espere: o desastre está garantido. 

Enquanto isso você vai vê aquele homenzinho dizendo que foi abduzido, porque no país do improviso, até ET vira testemunha.  E nesse meio tempo temos aquele homenzinho tentando ir para lua.




quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Faça algo inútil nessa data tosca e adquira a HQ O Filósofo da Maconha

 


Natal, Ano Novo, Papai Noel… tanto faz.

Faça algo inútil nessa data tosca: adquira a HQ O Filósofo da Maconha.


Uma HQ de fôlego, 126 páginas de delírio, pensamento torto, rua, ironia e filosofia chapada — do jeito que a vida é quando ninguém está vendendo gratiluz.


 Roteiro: Fabio da Silva Barbosa

 Desenhos: Diego El Khouri

 Prefácio: Ciberpajé

 Editora: Merda na Mão


 R$ 50 na mão

 R$ 60 via correio

 Pix: 02098805110




quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Papai Noel capitalista: tripas embrulhadas pra presente


Todo ano, nessa data tosca chamada Natal, a lisérgica punk Editora Merda na Mão cospe na imagem medíocre e capitalista do papai Noel desgraçado — esse ícone vil, pintado com o vermelho sangrento da Coca-Cola e alimentado pela fome alheia.

A gente caga pro status quo, pro liberalismo perfumado e pra essa lógica competitiva que transforma miséria em marketing.

Cuspir no papai Noel é cuspir nesse sistema que celebra excesso pra poucos e escassez pra muitos.

Enquanto playboys se empanturram até passar mal de comida e presente, crianças nas favelas sonham com um prato decente e um brinquedo — nem que seja quebrado.

Ainda assim, nossa mensagem vai pras periferias e pros guetos: paz, resistência e dias menos brutais.

A Editora Merda na Mão atravessou um ano de reestruturação pesada. Enfrentamos desafios ainda maiores, trabalhamos no silêncio dos bastidores e seguimos firmes. Estamos abrindo novas formas de publicação e, em breve, lançamos um livro de poesia de um nome phoda da cena cultural independente, com décadas de caminhada e cicatrizes reais.

Acompanhem as próximas movimentações aqui pelo blog da editora 

“Paz entre nós — guerra aos senhores, sempre.”




segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Revista O Bule — Coluna # 4: Gratiluz, Trump!

 



Por Allyne Fiorentino


Dizem os jovens místicos, leitores de livros de autoajuda e misticismo barato, “guardiões” do segredo que se esconde deles mesmos, que tudo aquilo que você visualiza, você é capaz de materializar na sua vida. Basta visualizar!

E não é raro encontrar muitos que colocam quadros na parede, com uma composição de recortes de revista de verdadeiras mansões, carros importados na porta da casa, piscina à mostra, um recorte de uma família dos antigos comerciais de margarina, sorrindo feliz e despreocupada. Sim, eu sei o que você está pensando se for meramente perspicaz: Mas isso não é imaginar! Exato. Eu sei, mas a explicação deles para isso é que há pessoas que são incapazes de criar uma imagem mental nítida de alguma possibilidade.

Tá aí uma coisa em que eles acertaram no alvo, mas sem imaginar a grandeza dessa conclusão a que eles chegaram. O processo parou no básico, mas se eles avançam um pouquinho se questionariam o porquê de as pessoas não conseguirem ter essa habilidade, que, segundo eles, abriria tantas portas para uma realidade melhor. Eis uma pergunta que deveria ser feita a esses jovens místicos, cheio de gratiluz, e a todos que se propõe a te dar soluções: “Por quê?”. Por que você não consegue imaginar? Por que esse processo dentro da sua cabeça é tão dificultoso pra ser processado?

O bom é que a vida é bastante irônica. Uma ironia quase newtoniana, que às vezes até desacreditamos, mas funciona. Se na escola, educadores sabem há bastante tempo que o grande problema dos alunos é não ter a capacidade de abstração desenvolvida e que isso impede que eles avancem em seus estudos – fato que quase ninguém fala porque falar sobre isso implica perguntar por que eles não conseguem abstrair e isso nos leva a questionar o nosso sistema mundial. “Ah mas tudo é culpa do Capitalismo, isso é conversa de Comunista!”. Bom, se na escola nosso exemplo de genialidade continua sendo os Gregos é porque alguma coisa neles admiramos que não conseguimos reproduzir hoje em dia. E eles não viviam um capitalismo. É só pensar. É só abstrair um pouco.

Eis que eles crescem e encontram a mesma dificuldade, só que agora de forma “mística”. E pra sanar essa dificuldade, leem muitos livros duvidosos que se propõe a “curar” essa falha mental, ou como eles chamam “bloqueios”. Número de livros que quiçá não leram na escola, por preguiça ou por má vontade, sem saber que a leitura guiada era o que traria a eles um pouco da capacidade de abstrair, ou seja, um grande ciclo vicioso meio engraçado meio triste.

E onde essa conversa vai chegar? Ela vai chegar no Trump e no seu tarifaço. Como? Acompanhe-me: TODOS os brasileiros, sem nenhuma exceção, estudaram na escola, nas aulas de História, Geografia, Sociologia enfim... a trajetória de como os EUA chegaram ao poder mundial: por meio de guerras, genocídios, colonização, violência, escravização, exploração de outros países, criação midiática de simbolismos que colonizam a mente e o imaginário das pessoas. Todos sabem disso, mas entram num grande processo de negação. A realidade é dura demais pra ser aceita. É duro imaginar uma vida fora do sistema. É inimaginável, é imaterializável, é invisualizável. É impossível.

Só que nos últimos dias em que o Brasil resolveu “peitar” os EUA, percebemos que a China está imaginando isso há muito tempo, trabalhando quietinha e silenciosamente sobre o impossível pra torná-lo possível. Não digo que os meios para se chegar a esse fim são dos melhores, mas essa conversa é sobre abstração, e, não, sobre política. É sobre imaginar. Ter a ousadia de imaginar.

Por que se você não tem a ousadia de imaginar coisas que vão além, você vai acabar montando um quadro de recortes em que seu maior desejo, o desejo do seu coração enquanto você está vivendo nesse inferno terráqueo é só uma casa, um carro, um iphone, uma piscina e uma família de comercial de margarina... Como dizem os jovens místicos, muito certeiramente, eu só posso mudar a minha realidade se eu primeiro aceitá-la como real. Mas eles não dizem: depois de aceitar, é preciso imaginar.

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

e a maconha ancestral

 por edu planchêz pã maçã dylan silattian


-------------------------------e dirão os que não sabem,

ou pouco sabem, de mim, de ti...
( no tempo que fumávamos maconha apertada
na bruta seda que envolve os velhos maços de cigarros
( e é impossível não ver a sombra empoeirada
de jack kerouac
pela paredes dessa casa antiga, lar de meu filho...)
e a maconha ancestral
e a maconha da comemoração dos anos que se espalharam
nos cavalos das calçadas da cidade,
da cidade de minha solta vida
"evoé jovens artistas!"
artistas dos novos dias
em que para comer cantamos
dentro dos vagões do metrô-rio
e a maconha perfumada pela mãos de diego el khouri
assume a forma de um ser do livro dos seres imaginários,
e jorge luis borges, de roupas finas e brancas,
de sino e espada, no alto das montanhas de ur,
donde as tábuas de granito exibem dizeres
( inda que carcomidos )
o tempo cozinha a pedra
para a pedra voltar a ser feto
a maconha brasileira,
colhida e plantada pelos tupinambás,
fumega cá em minha boca,
cá nas antenas cabelos dos traços que largo
agora no mundo ( das pirâmides )
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Correio Insurgente: Trocas, Conexões e Quadrinho na Margem

 

Algumas semanas atrás, nós, da Editora Merda na Mão,  trocamos material via correio com o gigante dos quadrinhos sujos e underground Marcatti. No correio,  percebemos que o endereço dele tinha ficado em casa. Mandamos mensagem no grupo de WhatsApp do Marcatti e  Ana Dias — que a gente ainda não conhecia — disse que  tinha o endereço, salvando o rolê. Problema resolvido, ida de volta evitada.


A alegria foi tanta que prometemos mandar uns zines da Editora pelo correio. Ana contou que estava morando em Londres, mas pediu pra enviar para Niterói (RJ), aos cuidados do amigo Aurélio, já que em breve viria ao Brasil a pa e pegaria com ele. Dito e feito.


Dias depois, por meio do Aurélio, chegou até nós essa revista/HQ da qual Ana e outros artistas participam.


Sobre a HQ: quadrinho sujo, direto e violento, com humor ácido e estética underground, onde a brutalidade vira linguagem e o exagero gráfico escancara a crítica.


Assim que a leitura estiver completa, voltamos com uma análise mais aprofundada, do jeito que a Merda na Mão gosta: sem verniz, sem pose e sem pedir licença.










domingo, 14 de dezembro de 2025

Revista O Bule — Coluna #3: Os cartuns ácidos de Leonardo Cardoso

 




https://www.revistaobule.com.br/


* Leonardo Cardoso é graduado em Educação Artística/Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em MBA Gestão de Marketing pela faculdade ESAMC. É professor de Arte na rede municipal de ensino e produz artes que são constantemente publicadas em suas redes sociais.


sábado, 13 de dezembro de 2025

Ruas e Cores: Hip-Hop em Tela ocupa o Museu das Bandeiras


Artista: Diego El Khouri 
Produção cultural e curadoria: Lívia Batista 

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O projeto Ruas e Cores – Hip-Hop em Tela têm como objetivo valorizar a cultura hip-hop na nossa sociedade goiana. E, como forma de começar esse movimento, nada melhor do que realizar a primeira mostra no Museu das Bandeiras, um espaço cheio de significado.

O hip-hop nasce da rua, das vivências, das histórias e da força de quem transforma a realidade em arte.
O Museu das Bandeiras, por sua vez, é um lugar que já foi cadeia há muitos anos, onde pessoas eram presas e viviam situações difíceis. É um espaço marcado da presença e resistência da população negra.



Por isso, levar o hip-hop para dentro desse museu tem muita potência. É o movimento saindo da rua e ocupando um lugar histórico, mostrando o valor da cultura, das pessoas e de quem faz essa história acontecer todos os dias.

        Lívia Batista,  a curadora 




📍 Lançamento da exposição
🗓 14 de dezembro
⏰ Das 9h às 13h
📌 Museu das Bandeiras — Cidade de Goiás

Um encontro entre arte, história e resistência.
Você é nosso convidado.







@movasecultura







sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Daniel Figueiredo e Conatus, o Quadrinho que Espreme a Existência

 



A Editora Merda na Mão conheceu o trabalho de  Daniel Figueiredo em novembro de 2023, durante o Ciberpajelanças, realizado em Goiânia — um evento que mistura rito digital, experimentação estética e guerrilha criativa — organizado pelo grupo de pesquisas @cria_ciber, projeto de extensão da Faculdade de Artes Visuais da UFG . Na mesma edição do festival, Diego El Khouri , um dos idealizadores da editora, recebeu o troféu de MELHOR FANZINE GOIANO no I Prêmio Nacional de Fanzines e Artezines, realizado dentro do IV Festival de Artes Ciberpajelanças.


Foi nesse cenário que Daniel — professor de Filosofia da UFPB— apresentou uma palestra sobre processo criativo. Depois da fala, chamou o Diego num canto e contou que já acompanhava e admirava a Merda na Mão, surpresa boa considerando que ele é da Paraíba (PB) — rompendo fronteiras . No dia seguinte, adquiriu a HQ O Filósofo da Maconha, recebendo na primeira página a tradicional caricatura personalizada.


Em 2025, no lançamento do seu documentário sobre zines, o Afetozine, foi a vez da editora adquirir seu quadrinho CONATUS. Neste primeiro volume, Daniel Figueiredo pega o tal do impulso vital — essa vontade cretina de continuar existindo — e espreme até pingar tinta, suor e espanto. Conatus é um quadrinho que não pede licença: entra, debate filosofia com a unha suja e te lembra que a natureza humana é menos divina e mais um bicho tentando sobreviver ao próprio reflexo. Em breve, vou ler de forma mais aprofundada esse quadrinho e, se tiver fôlego, escrever um ensaio sobre.