Por Lí Rubra
Carniceiros.
Vermes imundos.
Malditos famintos de atenção,
moscas podres zumbindo
no limite do meu ouvido
até sangrar a razão.
Hipócritas.
Falsos moralistas.
Pregam virtude com a boca suja,
mas só cultuam o próprio umbigo
enquanto o resto afunda
na lama.
Eu tenho raiva.
Raiva que arde,
que corrói,
que rasga.
Raiva de existir nesse mundo
machista, nojento, apodrecido —
onde ser mulher
é lutar até pra respirar.
Raiva de gente oportunista,
de olho faminto em vantagem,
de almas baratas
que se vendem por um prato vazio —
ou por menos.
Por nada.
Mentem como respiram.
Traem como vivem.
Não têm espinha.
Não têm rosto.
Só restos.
E você —
o que sobra de você?
Além do vazio,
além da carcaça,
além do dia inevitável
em que vai ter que encarar
a podridão
que chama de vida?
— Lí Rubra, em ruptura
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