terça-feira, 28 de abril de 2026

RAIVA

Por  Lí Rubra


Carniceiros.

Vermes imundos.


Malditos famintos de atenção,

moscas podres zumbindo

no limite do meu ouvido

até sangrar a razão.


Hipócritas.

Falsos moralistas.


Pregam virtude com a boca suja,

mas só cultuam o próprio umbigo

enquanto o resto afunda

na lama.


Eu tenho raiva.


Raiva que arde,

que corrói,

que rasga.


Raiva de existir nesse mundo

machista, nojento, apodrecido —

onde ser mulher

é lutar até pra respirar.


Raiva de gente oportunista,

de olho faminto em vantagem,

de almas baratas

que se vendem por um prato vazio —

ou por menos.


Por nada.


Mentem como respiram.

Traem como vivem.


Não têm espinha.

Não têm rosto.


Só restos.


E você —

o que sobra de você?


Além do vazio,

além da carcaça,

além do dia inevitável

em que vai ter que encarar

a podridão

que chama de vida?


— Lí Rubra, em ruptura

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