Chegou material bruto, pesado e completamente contaminado pela cena underground na caixa postal da Editora Merda na Mão.
Diego El Khouri foi até os Correios despachar alguns materiais pelo Brasil e voltou com três pacotes insanos vindos de diferentes cantos do país — um retrato vivo da resistência independente funcionando na ousadia, sem padrinho, sem glamour e sem pedir licença.
Diretamente de Curitiba (PR), chegou o material da escritora e artista Tatiana Carpannezi, responsável pela Ralé Edições e pelo zine Antro Punk.
No Antro Punk, Tatiana mistura poesia, colagem, fotografia, arte gráfica e trabalhos de outros autores num painel sujo, intenso e necessário da produção independente contemporânea. Publicação feita longe da assepsia cultural de livraria gourmet e perto da vida real.
Nascida em 1993, Indy ficou conhecida principalmente pelas suas poesias demoníacas e góticas, mas sua escrita atravessa vários gêneros. Autora de diversos livros, também atua como antologista, colaboradora de blogs literários e apresentadora de web rádio — uma figura ativa dentro do subterrâneo cultural brasileiro.
A conexão dela com a Merda na Mão já vem de muito tempo: participou de vídeos do canal YouTubodigestivo e teve vários poemas recitados por Fabio da Silva Barbosa, um dos criadores da editora.
Agora Indy despejou na nossa caixa postal um acervo absurdo carregado de literatura marginal, obscuridade poética e resistência artística.
E teve mais.
Chegou também a edição nº 70 do zine Reboco Caído, criação do próprio Fabio da Silva Barbosa. Hoje ele segue envolvido em outros projetos e trincheiras, mas certas sujeiras nunca saem das mãos. Fabio sempre será Merda na Mão.
Junto do zine veio também o livro Memórias da delinquência ou a noite chega diferente para cada um…, publicado em formato cartonero pela Kapivara Kartonera — livro artesanal, feito à mão, onde cada exemplar nasce diferente, com capas, desenhos e materiais únicos.
Enquanto boa parte do mercado cultural segue masturbando algoritmo e transformando arte em networking de condomínio, nós seguimos fortalecendo conexão direta entre sobreviventes do subterrâneo.
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Nós por nós, coletividade e autogestão.
Troca de materiais. Circulação independente. Arte feita na unha.
Vídeo reação no canal do youtubodigestivo da Editora Merda na Mão:

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