A Monique Brito é leitora da Editora Merda na Mão, mora em Niterói (RJ) e recentemente comprou dois exemplares da HQ O Filósofo da Maconha, um pra ela e outro para o sobrinho, de 16 anos.
E tem um detalhe phoda nisso:
Ela disse que decidiu que a Editora Merda na Mão seria uma das ferramentas para ajudar a expandir a mente do garoto.
Isso, pra nós, é do caralho!
Porque é exatamente esse tipo de coisa que faz uma editora underground continuar existindo: inflamar o pensamento insurgente.
O quadrinho ainda está viajando pelo correio até Niterói. Mas, antes mesmo de chegar, já aconteceu outra história surpreendente.
A Monique mandou uma foto perguntando se determinado traço era meu. Ela achou parecido. Não era.
Era Religare, zine de Ningu3m, uma HQ poético-filosófica publicada pela Merda na Mão. Ningu3m é multiartista e também participou do lançamento de O Filósofo da Maconha, tocando na Mandrake Comic Shop, em Goiânia, em 2024.
Ele também já passou pelo nosso clássico Deu Merda, programa de entrevistas do YouTubodigestivo da Editora Merda na Mão, falando sobre arte, cultura, ativismo, resistência e outras coisas que normalmente deixam o pensamento comportado bastante desconfortável.
E não parou aí.
A Monique também encontrou um Zazazine, publicação colaborativa produzida pelo Coletivo Mente Sativa, Santa Ganja e Editora Merda na Mão em suas três edições impressas. Nessas edições saíram cartuns inéditos do Filósofo da Maconha.
E onde ela encontrou tudo isso?
Na estante de doações de livros do Bloco C do Instituto de Letras da UFF (Universidade Federal Fluminense), em Niterói.
Fica no hall de entrada do instituto, acessível a estudantes e professores. Toda semana tem gente deixando livros e gente pegando livros.
E lá estavam os nossos.
É aí que a coisa começa a ficar interessante.
Porque a Merda na Mão tem poucas tiragens. É uma editora independente, underground, sem dinheiro sobrando, sem estrutura nenhuma, sem distribuição gigantesca.
Mas os livros estão circulando.
Estão em estantes de doação.
Em universidades.
Em feiras.
Em espaços culturais.
Nas mãos de leitores.
E às vezes até em bancos de praça.
Já teve jornalista que encontrou um dos nossos livros em um banco em Porto Alegre, com um recado na primeira página dizendo para a pessoa ler e depois deixar o livro no próximo banco. Aqui nesse vídeo tem mais detalhes dessa história incrível:
Ou seja: os livros estão criando suas próprias rotas.
A gente publica e solta no mundo.
Depois eles começam a andar sozinhos.
E volta e meia aparecem notícias de algum lugar onde uma publicação da Merda na Mão foi parar sem que a gente sequer soubesse.
Uma hora a gente conta aqui esses relatos inusitados que volta e meia recebemos.
A Editora Merda na Mão é um monstro com vários tentáculos.
Um monstro editorial subterrâneo.
Um bicho com tentáculos demais para a gente controlar.
É pra isso que essa porra existe.
A Editora Merda na Mão fugiu do controle.
Ainda bem...
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